“Desde outubro de 2016, a Selic caiu 7,75 pontos percentuais, variando de 14,25% ao ano para 6,5% ao ano. O Brasil deixou de ser o campeão dos juros primários, mas isso não adianta muito para as empresas e as pessoas. Quem precisa de crédito continua a pagar juros absurdos”, disse Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em nota. A Fiesp lançou nesta semana a campanha “Chega de engolir o sapo dos juros”.

A argumentação da Força Sindical vai na mesma linha da entidade patronal. “É importante ressaltar que, mesmo com as constantes reduções da Selic, o Brasil ainda apresenta uma das maiores taxas de juros do mundo”, afirma nota assinada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força.

A Abit, associação que representa a indústria têxtil, também reforçou a necessidade de que a redução da Selic se “reflita de modo concreto nos créditos às pessoas físicas e jurídicas”. “As reduções paulatinas anunciadas pelo Copom não chegaram com a mesma intensidade às taxas e spreads do sistema financeiro junto aos tomadores finais. Caso isso continue ocorrendo, poderá ficar comprometida a expectativa de que o volume de crédito cresça entre 3% e 5% em 2018, o que seria a primeira variação positiva em dois anos”, criticou Fernando Pimentel, presidente da Abit.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, destacou que a inflação baixa e o fraco desempenho da economia contribuíram para o corte dos juros. “A redução das taxas de juros é crucial para estimular o consumo e os investimentos e garantir a recuperação da economia”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. No entanto, alerta Robson Andrade, a manutenção dos juros baixos, o controle da inflação e o crescimento sustentado do país dependem, fundamentalmente, do equilíbrio das contas públicas.

A Federação das Indústrias do Rio disse considerar “que a decisão do Copom foi mais uma vez acertada” e afirmou que “o cenário atual é amplamente favorável à redução da taxa de juros brasileira”, citando que a inflação atual e a projetada para 2018 e 2019 estão “abaixo do centro da meta”. “Um crescimento mais robusto neste e nos próximos anos depende justamente da retomada dos investimentos, tanto em máquinas e equipamentos quanto aqueles relacionados à construção civil. E a taxa de juros é fator fundamental à recuperação destes setores”, diz nota da Firjan.