O boletim mostra ainda que, em novembro, 36% dos reajustes empataram com o INPC, enquanto apenas 5% sequer tiveram reposição do índice inflacionário.

Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do Salariômetro, lembra que, mesmo nos piores momentos da recessão a maior parte dos reajustes, no mínimo, acompanhou a inflação. “Mas como ainda o nível da atividade econômica é baixo, as empresas não têm muita folga para conceder grandes aumentos”, comenta Zylberstajn, acrescentando que a reforma trabalhista recém-aprovada ainda não repercute nos processos de negociações salariais.

A mesma explicação, acrescenta o economista, vale para o valor do reajuste mediano nominal verificado em novembro, de 2%, abaixo da média de 5% do ano e também de 5% no acumulado em 12 meses. Já o piso salarial mediano (R$ 1.130) das categorias mapeadas pelo Salariômetro ficou R$ 5 acima do valor médio de 2017.

Zylberstajn acredita que, mesmo com uma inflação mais alta em 2018, a proporção de reajustes salariais acima do INPC ficará acima de 60%, garantindo ganho real de renda à maioria dos trabalhadores brasileiros. “Com a economia mais aquecida a tendência é que os reajustes fiquem acima da inflação. No limite, os trabalhadores vão conseguir igualar os reajustes com o INPC.”

O Salariômetro também destaca que em novembro foram registrados apenas dois acordos que resultaram em redução de jornada e salário. De janeiro a outubro, 121 negociações haviam sido fechadas nesses termos.

“Isso é um indicador claro da recuperação disseminada da economia: a principal mensagem é que as empresas estão deixando de demitir, não precisam usar esse tipo de expediente nas negociações”, completa Zylberstajn.

 

As informações são do Valor Econômico.