RETOMADA DO EMPREGO COM CARTEIRA SEGUIU EM OUTUBRO, DIZEM ANALISTAS

O mercado de trabalho formal continuou em recuperação em outubro, porém em ritmo mais moderado do que nos dois meses anteriores, acreditam economistas. A média das projeções de 16 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data apontam para uma geração líquida de 73 mil vagas com carteira assinada no mês, após a criação de 110 mil vagas em agosto e de 137 mil em setembro.

As projeções variam de um saldo de 40 mil a 154 mil postos de trabalho. Em outubro de 2017, foram geradas 76,6 mil vagas com carteira e, nos três anos anteriores, o saldo para o mês foi negativo. O Ministério do Trabalho ainda não informou a data de divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mas analistas esperam a publicação ainda nesta semana.

O Santander calcula que foram criadas 61 mil vagas formais em outubro, o que representaria uma geração líquida de 40 mil postos de trabalho, na série dessazonalizada pela instituição. Segundo Lucas Nóbrega, economista do banco espanhol, serviços e comércio devem continuar a puxar a melhora do emprego.
“Esses setores foram os que mais sofreram com a recessão, então há uma reposição das vagas perdidas”, diz Nóbrega. “Quando ocorre uma melhora das condições financeiras e começa a ter uma perspectiva de melhora da atividade, esses costumam ser os setores que respondem mais rápido no emprego.”

Em 12 meses até setembro, das 459 mil vagas formais criadas, 347 mil foram geradas no setor de serviços, e 71,9 mil, no comércio, na série com ajuste para inclusão de declarações entregues com atraso pelas empresas.

O economista do Santander lembra que, no início do ano, os dados do Caged trouxeram seguidas frustrações, com ápice em maio e junho, mês em que o saldo de vagas entrou no campo negativo. Após um julho ainda fraco, agosto e setembro surpreenderam positivamente.

Conforme Nóbrega, a melhora pode ter sido provocada por um desrepresamento de contratações que teriam sido adiadas com as incertezas provocadas pela greve de maio dos caminhoneiros. Assim, a desaceleração na geração de vagas em outubro, em relação aos dois meses anteriores, seria apenas uma normalização, mas ainda um número bastante positivo.

O Santander calcula que o país deve encerrar 2018 com a geração de 350 mil postos com carteira, abaixo do 1 milhão de vagas esperadas por algumas casas no início do ano, mas, ainda assim, uma melhora em relação aos anos anteriores, quando foram destruídos quase 3 milhões de empregos com carteira assinada.

“Com a melhora das condições financeiras e a perspectiva de avanço mais forte da atividade no ano que vem, por causa dos bons fundamentos econômicos – inflação controlada, taxa de juros baixa, uma melhora da confiança, dissipadas as incertezas eleitorais -, há uma perspectiva de melhora [do emprego] para o próximo ano”, prevê, estimando uma geração de vagas formais entre 600 mil e 800 mil em 2019.

Para Nóbrega, devido à melhora de fundamentos, essa recuperação do mercado de trabalho está praticamente “contratada”, mas a questão fiscal seguirá sendo a principal fragilidade. “Os primeiros sinais do novo governo são de compromisso fiscal”, afirma. “Mantido esse compromisso, notadamente com relação à reforma da Previdência, parece bastante provável essa melhora, tanto da atividade econômica, quanto do emprego”, completa.

O Itaú, por sua vez, projeta um saldo positivo de 70 mil vagas para o Caged de outubro. “Com ajuste sazonal, nossa estimativa implica na criação de 60 mil vagas, elevando a média móvel trimestral ajustada em 11 mil postos, para 62 mil – o ritmo mais forte desde a recessão de 2014 a 2016”, destaca a equipe do banco, em relatório.

Na semana passada, a Fiesp informou que a indústria paulista fechou 1 mil vagas em outubro, devido ao desligamento de trabalhadores temporários típico da sazonalidade do período. No entanto, a perda de postos foi menor do que a média histórica.

 

As informações são do Valor Econômico. 

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